PL 3555/2004 Câmara dos Deputados Veja a íntegra da audiência pública

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A crise financeira americana e os reflexos no mercado de seguros

Ao associar-se com a AIG, a maior seguradora dos E.U.A., o Unibanco buscou um sócio de peso para a seguradora do grupo. Ao capitalizar a agregação da marca americana à sua marca, além da capitalização propriamente dita, provavelmente o board do Unibanco não esperava por esse desenrolar, que levou seu sócio a beira do caos. A crise é dramática, mas se a AIG não tiver socorro, derruba o resto do mercado americano de seguros. Apesar da economia americana ser baseada no capitalismo selvagem, ainda não há sinais de canibalismo, mesmo porque a crise de confiança gerada por uma quebra desta magnitude seria um tiro no pé da concorrência também, que se tornaria igualmente vulnerável.
Aqui no Brasil a Unibanco AIG é um player respeitável, que atua em parceria com corretores de seguros, com um grau de desenvolvimento de produtos, serviços e back office para sua clientela de corretores e consumidores finais muito relevante. Não há porque então maiores desdobramentos no relacionamento entre corretores de seguros e a seguradora.
O problema passa a ser interna corporis, de ajuste societário e de trabalho de contenção de especulações via uma resposta rápida ao mercado. Em seu comunicado à imprensa ontem 15.09.2008, com firmeza, clareza e determinação o Unibanco se posicionou adequadamente.
Torço para que a companhia possa de forma contundente transpor este impacto mercadológico direto, uma vez que as informações alcançaram diretamente os clientes em comum da seguradora e corretores de seguros. O Sistema Nacional de Seguros Privados é sólido no Brasil, o órgão regulador vem exercendo papel firme na condução da solidez das empresas que nele atuam e não há porque criar-se a instabilidade diante de um fato, que pode não ser isolado, mas que seguramente, será administrado rapidamente pelas autoridades e pelo mercado. Neste momento presto solidariedade ao Unibanco e conclamo os corretores de seguros a agir de forma profissional.

Luis Stefano Grigolin

quinta-feira, 22 de maio de 2008

É preciso mudar

O mercado de seguros sofreu mudanças significativas na sua estrutura de indústria e regulação na última década. Estas mudanças porém nem de perto foram acompanhadas pela distribuição de seguros, no seu principal canal, o de corretores de seguros.
Perdem com isto os consumidores de seguros que tem na figura do corretor de seguros o seu guardião, papel inclusive delegado pelos diplomas legais em vigência.
Procurar culpados é tarefa fácil, mas vamos pular esta parte e ir direto ao que interessa, precisamos é de soluções imediatas para os conflitos existentes.
Com este intuíto passo a publicar estudos e artigos, resultado de muito estudo e discussão sobre o tema, por parte de pessoas idealistas que propõem soluções ao mercado, que nem sempre as recebe com bons olhos, uma vez que fere interesses. Divulgar é preciso, para que mais agentes econômicos do mercado tomem ciência que há vida inteligente além das muralhas do sindicalismo, da liderança de classe, das entidades representativas e órgãos reguladores. A distribuição e o consumo foram esquecidas literalmente por esta casta que decide os rumos do mercado ao seu entendimento.
Estimular o debate e levar o problema ao consumo, aos órgãos de defesa do consumidor, à população em geral e aos legisladores. Esta uma tarefa hercúlea que buscamos no dia a dia.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Vítima de ''máfia das seguradoras'' deixa hospital

Vítima de ''máfia das seguradoras'' deixa hospital
Sérgio Duran

O Estado de São Paulo 13.03.2008

O presidente do Instituto Brasileiro contra Fraudes do Seguro, Rubens Sanches Proença, de 52 anos, deixou ontem o Hospital São Mateus, na zona leste de São Paulo, escoltado pela polícia. Proença estava internado desde o dia 2, quando foi baleado no peito, após ter recebido várias ameaças de morte. Ele denuncia seguradoras que aplicam golpes em segurados, acusando-os de forjar acidentes e roubos para receberem o seguro.Proença investiga seguradoras desde 2000, quando teve um carro roubado e acabou indiciado por falsa comunicação de crime, estelionato e fraude, no 27º DP, Campo Belo, zona sul. O inquérito foi arquivado em 2002. Ele descobriu, por exemplo, que entre 2000 e 2004 foram instaurados 188 inquéritos idênticos ao seu no mesmo DP. Em 2005, o Ministério Público Estadual denunciou três delegados do 27º, dois escrivães, três diretores e um advogado da Porto Seguro. No total, 11 pessoas respondem por formação de quadrilha e estelionato. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) participou da investigação. Proença levantou um grupo de pessoas lesadas por seguradoras - ao todo 20 mil seriam prejudicados.Ontem, Proença afirmou ter mais provas contra o que chama de máfia das seguradoras e disse que "falta pouco para concluir seu trabalho". "Quando fechava o dossiê, comecei a receber ligações. Diziam: ?Está chegando a tua hora.? Nunca dei importância", afirmou. Proença foi baleado na frente da casa de um amigo, na zona leste, ao lado do enteado de 15 anos. "Estava com o carro ligado, quando vi dois homens se aproximarem, um negro e outro branco. Estavam tão tranqüilos que não levantavam suspeita. Não morri porque a arma emperrou. Saiu um tiro só."Mesmo baleado, ele dirigiu o carro até o hospital. "Nem escutei o tiro. Vi o vidro do carro trincar, depois, senti queimar por dentro. Falei para o meu filho que estava sangrando, mas que não sabia onde." Proença disse ainda que precisa de mais alguns dias de descanso, mas que o trabalho de acusação "está mais fácil agora".
AUDIÊNCIA Anteontem à noite, o secretário de Estado da Justiça, Luiz Antônio Marrey, recebeu um grupo de pessoas ligadas a entidades de segurados lesados, entre as quais o instituto de Proença. Eles entregaram documentos e pediram rapidez no trâmite dos processos. Afirmaram que esses processos têm demorado o dobro do tempo normal. Marrey prometeu pronunciar-se em uma semana.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Perspectivas para o mercado de seguros em 2008

A despeito de todas as declarações de autoridades do mercado dando conta do excelente ano que iniciamos para o setor, tenho que ser cético e realista. 2008 deve ensejar um ano de transformação no mercado que deve incluir conflitos, discussões legais, reversões e consolidações das mudanças ocorridas paulatinamente na última década.
É óbvio que certas projeções efetuadas no final do ano passado substimaram os efeitos da crise do sub prime americano desencadeando uma reação em cadeia mundial. Mas não faltaram alertas à este respeito. É notório que as iniciativas de IPO's no segmento de seguros foram prejudicadas em função dos desdobramentos dessa crise. Mas havia o potencial que isso ocorresse e que foi de forma exageradamente otimista, subestimado. É claro que a abertura do resseguro coloca o país no mundo dos seguros, mas igualmente soltaram fogos antes da realização, que como previsto, deve se efetuar de forma progressiva e geométrica e terá maturação não antes de um período de quatro anos. Ademais temos o nosso próprio sub prime caracterizado por uma política de empréstimos consignados irresponsáveis, destruindo literalmente a estrutura econômica de um sem número de aposentados em sua maioria, com juros mensais perto dos juros anuais cobrados pelas nações mais desenvolvidas, além de uma dívida pública interna elevadíssima, uma dívida externa em crescimento vertiginoso e balanço de pagamentos com viés deficitário. Par e passo, observe-se o retorno do padrão ouro em detrimento do dólar americano, tendo em vista a elevação vertiginosa do metal no mercado. Mas vai explicar isso para políticos? Os investimentos tendem a se manter no país , na medida que fomentarmos com o pagamento asfixiante dos juros da dídida. Investem aqui o que arrecadam aqui, ou alguém tem alguma dúvida disto. Isso tem nome . Reinvestimento de ganhos de capital. O rentismo fez história desde a crise do petróleo de 73, aqui no Brasil. Mas isso é uma tese que poucos podem discutir e que interessa a muito menos.
Antecipar tendências e projetar cenários futuros requer um grande número de informações, e a complexidade operada na globalização de mercados, requer um olhar atento ao que ocorre no mundo real de qualquer segmento, de qualquer economia e a movimentos sutís dos mais variados operadores do mercado e de governos, em sentido amplo.
O que ocorre no Brasil é único, no aspecto regulatório por exemplo, com excesso de interferência do estado, sem sincronismo da equipe econômica e a direção da agência reguladora com macropolítica. Ficou claro que o mercado de seguros não é prioridade da área econômica e de gestão de governo, quebrando as esperanças, que era vidro e se quebrou, de um ano de crescimento acelerado, brecado logo no primeiro dia útil do ano com uma taxação adicional e também indireta ao setor, tendo em vista a crescente participação dos bancos no segmento e a contribuição adicional infligida aos bancos. Certamente com participação elevada nos lucros dos bancos, o segmento de seguros será garfado indiretamente, de forma mais preocupante do que propriamente com o aumento do I.O.F.!
Já no campo institucional, o avanço da consolidação de antigos anseios dos seguradores previstos desde o início dos anos 90, como a abertura do resseguro, bancarização da distribuição do seguro, massificação da distribuição, liberdade tarifária, concentração através de barreiras à entrada de novas seguradoras com o pretexto de normas de solvência, organização da administração dos seguros obrigatórios de forma mais cômoda, criaram seus efeitos perversos junto aos corretores de seguros. Esses efeitos eram previstos mas diante de uma classe dirigente de categoria pouco empenhada pelo comum, de forma acachapante, quase 50% dos integrantes dessa classe foram excluídos do mercado na última década, através das mais variadas ações estruturadas que vão do impedimento ilícito de exercício de atividade regulamentada, passando por concorrência desleal de toda sorte, e por desistímulo operacional, sucateando os processos de B2B ao mesmo passo que ampliavam sua participação direta e indireta com a montagem de agências , sucursais e até corretoras ao arrepio da lei, além do incentivo a criação de corretoras ligadas a revendas de automóveis e lojas de departamentos com expedientes de venda casada, além de estímulos pelo efeito escala, que podem ser caracterizados no mínimo como indecentes.
Esses aspectos vão desembocar neste ano em ações judiciais extremamente onerosas para algumas companhias de seguros. Desencadearão um questionamento legal sobre a construção jurídica da relação entre indústria e distribuição de seguros, com o consequente reflexo na imagem do segmento. Demandarão uma postura mais pró-ativa do órgão regulador nesta área, da qual tem se omitido nos últimos anos, destinando a quase totalidade dos mais de 90 milhões de reais anuais de verba da autarquia para operar como cartório oficializador de alterações contratuais e deliberações de acionistas das seguradoras, assim como de suas políticas setoriais.
Vale lembrar que o órgão regulador foi criado com a intenção do legislador proteger o público consumidor e regular a atividade de concessão do estado.
Neste contexto, aliado a forte disputa por market share entre as companhias dominantes, que causaram um declive acentuado nos preços de seguros de carteiras como automóveis, creio que a elevação de preços seja inexorável, com um consequente ano difícil para o mercado e para consumidores que vão sentir o peso de uma flutuação de preços irresponsável e mal fiscalizada.
Luís Stefano Grigolin, corretor de seguros, consultor e especialista em tecnologia da informação, jornalista e suplente de deputado federal pelo PPS.

domingo, 11 de novembro de 2007

OS DOIS MERCADOS DE SEGUROS

Em minhas andanças pelo centro nervoso do mercado segurador brasileiro, no eixo- Rio-São Paulo, nesta semana que passou, foi impossível não chegar a um entendimento conclusivo: definitivamente existem dois mercados de seguros no país.
Um delirante, onde factóides como o micro-seguro, resseguros e pólo de resseguro enchem as agendas de "autoridades" do segmento como se fossem a panacéia ou bode expiatório dos graves problemas que estão camuflados por uma exuberância irreal apresentada nos balanços das companhias de seguros. Para quem tem tv a cabo eu recomendo a pérola do programa Conta Corrente Especial da Globo News exibido em 10.11.2007 e suas reprises, para quem não tem, a partir de 17 de Novembro acesse http://www.globo.com/ , clique em globo news e depois em conta corrente e procure pela entrevista de George Vidor, uma verdadeira odisséia ao mundo do faz de conta dos seguros.
Outro, um mundo real, que submete consumidores e corretores de seguros a concorrência desleal, oligopólio, abuso de poder econômico, falta de regulação e fiscalização do órgão regulador, onde a liberdade tarifária e a falta de concorrência deixam o consumidor brasileiro a merce de um custo de seguro três vezes mais caro que em países desenvolvidos.
Pude enxergar com meus próprios olhos a estrutura de poder consolidada em torno do nº 74 da Rua Senador Dantas, no centro do Rio de Janeiro, e para não perder o costume, mensurar o risco, de um cismo ou desabamento do edifício. Seria uma catástrofe para o mercado de seguros que perderia quase todas as suas "autoridades".
A concentração do mercado é um espelho do edifício. Pensar em micro-seguros quando no sentido contrário o órgão regulador propõe as condições adequadas a concentração de mercado, sob o argumento que a solvência e normas internacionais assim o recomendam, é no mínimo um contra senso com a necessidade de criação de postos de trabalho, concorrência, empreendedorismo e livre mercado.
Há anos a retirada de técnicos do mercado vem fazendo prosperar uma elite alienada e despreparada, oriunda de uma ampla estrutura de poder que se inicia dentro das empresas seguradoras, entidades sindicais e termina com a chegada de executivos paraquedistas oriundos de toda sorte de segmentos estranhos e que vêm propor suas estratégias num mercado fortemente instalado sobre a boa fé. A escalada social observada no segmento, de boa fé, não guarda nem a lembrança. Um querendo pisar na cabeça do outro e um salve-se quem puder, guerra de poder e toda sorte de artifícios que não coadunam com o espírito do mercado.
Há uma máxima que é reconhecida pelo mercado de seguros há muitos anos, que representa um percentual de arrecadação de prêmios que cada seguradora estaria apta a captar, e responde pelo nome de Limite Tecnico Operacional. A sofisticação de mecanismos sem uma mudança radical no plano de contas das seguradoras que identifique os gastos realmente necessários a sua atividade fim, é pura balela e podem estar contidos em Basiléia II , Sarbanes-Oxley e o escambau à quatro, mas não resolvem a malversação dos prêmios e o aumento desenfreado nas margens em detrimento dos serviços oferecidos e das relações com prestadores de serviços. Mas esbravejar com a elite de "autoridades" dominantes é perda de tempo, pois não sabem nem do que se trata. E enquanto não houver um posicionamento firme e escandaloso dos órgãos de defesa do consumo e da concorrência, este joguinho vai continuar. Mas só até as providências, que fique bem claro!
Há que se ter uma visão holística para alcançar esta constatação, olhar o mercado de cima, como um todo, mas o mercado de seguros já está mapeado, e como num caleidoscópio pode apresentar diversas visões dependendo do ângulo que se queira observar, mas na realidade o conteúdo do tubo, antes aos espelhos, guardam um só ingrediente: a ganância desenfreada e sem nenhum compromisso com o público, no sentido ampliado da palavra.
Luís Stefano Grigolin, 43, é corretor de seguros, consultor e especialista em tecnologia da informação, com 29 anos de atuação no mercado segurador, jornalista e suplente de deputado federal pelo PPS.

sábado, 20 de outubro de 2007

REFORMA TRIBUTÁRIA E O MERCADO DE SEGUROS

A questão da CPMF é foco da atenção nacional. Alguns setores entendem que está mais que na hora de cessar a contribuição, já o governo entende que sem a contribuição não poderá manter o rítimo alucinante de gastos públicos. Para mantê-la proporciona junto ao congresso nacional a maior "troca de favores" da história da república.

Mas não se pode negar a contribuição fiscal que a CPMF proporcionou, identificando o fluxo de capitais. Pelo menos é o que se presume. Não acredito que seja totalmente imune a cambalachos. Mas vem funcionando como inibidor de algumas fraudes.

Nesta negociação promíscua no congresso, o que se salva é o entendimento cada vez mais crescente de que se deva moralizar o congresso através da reforma política e colocar nos eixos o gasto público e ordenar a arrecadação, de forma a ampliar a base de contribuintes e desonerar impostos escorchantes.

Neste sentido, vislumbro a oportunidade de redução de alíquotas e renúncias fiscais como a feita a computadores recentemente, e que ao contrário das previsões mais pessimistas, fomentou o crescimento da arrecadação e ao mesmo tempo impulsionou a economia em diversos níveis, trazendo avanços e ganhos de produtividade.

A oportunidade então é de reivindicarmos a desoneração no nosso segmento e afins. Mas não através da redução de alíquotas setoriais desencadeando uma distorção e injustiça tributária, como a que vem sendo feita sem nenhum critério que não seja o político. Já que nossa atividade está voltada em grande parte para funções essenciais de estado, suprindo a falta da administração pública e que leva os contribuintes a pagarem duas vezes pelo seu direito constitucional, sugiro que se inclua nas deduções do imposto de renda, num primeiro momento, as compras de medicamentos não cedidos pelo estado, os gastos totais com planos e seguros saúde e odontológicos, seguros e equipamentos e serviços de segurança, gastos com pagamento de escolas particulares do ensino regular básico ao superior, gastos com cursos profissionalizantes e material de ensino, gastos com habitação, locação, construção e aquisição pelo sistema financeiro nacional, gastos comprovados com pagamentos de juros bancários, despesas com alimentação, agua , saneamento, energia e comunicações e aumento gradativo das deduções sobre contribuições previdenciarías privadas em função do tempo de resgate.

Essas medidas, sem num primeiro momento, efetuar a desoneração tributária existente, dará um impulso de crescimento setorial na base da economia, provocando inclusão social, aumento na base de contribuição, diminuição da sonegação fiscal, aumento de arrecadação e desafogamento dos recursos do estado, que poderiam ser melhor geridos em função dos menos favorecidos.

A partir de um equilíbrio entre o que se arrecadava e o impacto inicial das medidas, passaría-se a desonerar gradativamente toda a economia e atribuindo incentivos a produção. Desta forma estaríamos transformando o capital especulativo em capital produtivo, melhorando a qualificação do nosso povo e ganhando produtividade, a exemplo dos tigres asiáticos.

O desafio é retirar uma cultura rentista dos investidores e transformá-la numa cultura empreendedora. A ação visa indicar que o estado passa a ser desenvolvimentista.

Ao mesmo tempo em que se implementariam as mudanças, estaria o governo em parceria com a iniciativa privada provendo os direitos constitucionais dos cidadãos.

Um choque de produção, com caráter social e de distribuição de renda e progresso.

É preciso apenas espírito público e coragem de se contrapor a interesses que não são públicos. A inicitiva privada há de saber os benefícios que um mercado em crescimento sustentado possa proporcionar e a estabilidade e escalabilidade que uma medida desta envergadura possa criar e buscar aí o seu ganho a longo prazo.

O governo precisa conter a escalada de ganhos imediatos e concentração de segmentos inteiros em detrimento do emprego, que é e será cada vez mais o maior bem de uma sociedade globalizada e progressista, com independência e autonomia.

É preciso acabar com os privilégios e mercantilismo no congresso nacional e por toda a estrutura política do país. Denuncie maracutaias em qualquer esfera de governo ou no setor privado. Vamos passar este país a limpo. Só depende de você.

Impossível? Não, impossível é essa desoneração segmentada com interesses políticos inconfessáveis e esse mercantilismo com a coisa pública. Instrumentos existem!

É claro que uma ampla reforma administrativa e a diminuição do estado se faz necessária. Não é possível que nosso povo seja limitado a concursos públicos que se limitam a atender até os cargos que são loteados politicamente por quem está governo. É preciso que mesmo as indicações de cargos de confiança se dê entre os concursados e detentores de cargos nas suas respectivas carreiras. É imperioso um plano de cargos e salários em que o servidor público possa estar apto a ser indicado politicamente num cargo de gestão de segundo e terceiro escalão. É preciso criar estrutura de formação de carreiras públicas, com universidades voltadas para tal. É preciso se mensurar as atividades dos servidores públicos e se criar padrões de escalabilidade na carreira transparentes e a prova de privilégios.

Sem estas ações públicas mínimas e reformas consistentes, não há governo que se dê ao respeito e esteja livre de escândalos e maledicências. A utopia seria a reforma constitucional, a supressão das medidas provisórias e a proibição de reeleição dos cargos eletivos dos três poderes, no exercício imediatamente seguinte, podendo no entanto concorrer em eleições alternadas.
Creio que estamos em eterna mudança, portanto nada disso é imposível.

Luís Stefano Grigolin, 43, corretor de seguros, consultor e especialista em tecnologia da informação, jornalista, com 29 anos de atuação no mercado segurador. Suplente de deputado federal pelo PPS.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Seguradora Líder dos Convênios DPVAT fere Direito Administrativo

As resoluções e normas emitidas pelo CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados) e da Susep- Superintendência de Seguros Privados, afetos ao Ministério da Fazenda quanto a gestão do DPVAT - Seguro Obrigatório de Danos Pessoais originados por Veículos Automotores Terrestres carecem de análise jurídica, diante da hermenêutica, pelo Ministério Público Federal. A administração deste seguro obrigatório vem sendo questionada publicamente há anos pela sua incompetência, fraudes, desvios, falta de publicidade, alta taxa de administração e mau atendimento aos usuários. O recente comunicado conjunto da Susep e da Fenaseg( Federação Nacional das Seguradoras) a partir do dia 06 de setembro de 2007, pela imprensa, dando conta da criação da Seguradora Líder dos Consórcios DPVAT S.A. pode ser encarada como uma afronta ao Direito Administrativo. Confira a íntegra das divulgações:
Comunicado Susep
Comunicado Fenaseg 1
Comunicado Fenaseg 2
Por definição o Direito Administrativo é o conjunto de normas que regem a administração pública. As normas de ordem pública, ao contrário das normas de direito privado, não podem ser afastadas nem por acordo dos interessados, o que flagrantemente me parece o caso, s.m.j. . Trata-se de um ato administrativo bilateral, que se refere aos contratos realizados pela Administração, tendo por fim a satisfação de algum interese público. Qual o interesse público defendido por essa seguradora que substitui os consórcios que já trazem o vício consigo? Então vejamos, para que possa funcionar e atingir os seus fins a lei confere o poder de regulação ao CNSP e de normatização e execussão à Susep. Tais poderes podem ser de duas ordens: vinculados ou discricionários. Vinculados quando a lei já traz a forma de agir e discricionário quando o administrador tem certa liberdade de ecolher a oportunidade e aforma de se realizar o ato, desde que o ato não seja arbitrário, alheio a lei ou ao interesse público, em que se percebe não a vontade da administração, mas a vontade pessoal e exorbitante de determinado agente. Nos excessos dos limites da lei o remédio jurídico é o mandato de segurança. Como autarquia, a Susep é um ente público autônomo, com personalidade jurídica epatrimônio próprios, detentoras de uma parcela do poder estatal, destacada da administração direta, com a única finalidade de descentralizar os serviços públicos. A autarquia está investida de poder de polícia, portanto ainda de seus excessos cabe o habeas copus caso sejam feridos direitos individuais assegurados pela constituição. Quanto aos poderes administrativos a ela conferidos existem os atributos do ato administrativo que são a imperatividade, presunção de legitimidade e auto-executoriedade. Os requesitos do ato administrativo são o agente capaz, objeto lícito, forma prescrita ou não proibida, legalidade, moralidade, finalidade de atender ao interesse público e aos objetivos da lei, publicidade, competência do agente, e motivação dada pela lei ou justificada pelo agente. Os poderes e deveres do administrador público são o de eficiência, probidade, de prestar contas e poder-dever de agir, sendo que não pode deixar de agir no exercício de suas funções. De qualquer forma, todoso concordam que o serviço público deve ser geral, uniforme, regular, contínuo, e que deve tutelar o direitpo e o bem estar geral. Já a delegação dos serviços públicos se constituem da concessão, a permissão e a autorização. A diferença estre os instrumentos é que na concessão de serviços o particular firma um contrato com a dministração pública, obrigando-se a funcionar certo serviço público por sua conta e risco mediante a percepção de uma tarifa, paga pelos usuários. Na permissão o poder público delega, a t´titulo precário, a execussão de determinado serviço, por sua conta e risco e mediante a percepção de tarifas pagas pelo usuário. Aqui há o9 ato unilateral e descricionário mencionado, não por contrato. Já a autorização é um instituto semelhante à permissão, caracterizando-se por ser mais precária ainda e por ter uma regulamentação menos rígida. Entre as características dos contratos administrativos há o objeto, que pode ser definido por serviços, obras, fornecimentos e concessões. As características essenciais são o acordeo de vontades, agente capaz, objeto lícito, forma prescrita ou não proibida em lei, participação do poder público como parte predominante e finalidade de atender aos interesses públicos. As características especiais são a intransferibilidade, alterabilidade, revogabilidade, prorrogabilidade, execução inafastável, publicidade e dependência prévia de licitação. A licitação corresponde a um procedimento prévio de escolha do contratante pela administração, sendo obrigatória para todas as entidades controladas direta ou indiretamente pelo poder público. As licitaçãoe regulam-se pela Lei 8.666 de 21.06.1993 e demais dispositivos legais. Podem ser por convite, tomada de preços e concorrência. No caso em epígrafe , pelo volume de mais de 3 bilhões de reais anuais arrecadados pelo seguro obrigatório, claramente há a necessidade de concorrência. A formação desta seguradora nos parâmetros conhecidos, para operar um serviço público, é frontalmente contra o direiro administrativo, contra a livre concorrência que poderia servir ao interesse público, gera previlégios e forma reserva de mercado, proporciona aumentos desproporcionais e sem parâmetros conhecidos bem acima da inflação, como vem sendo praticado na vigência dos Convênios DPVAT, bem como interfere em toda a estrutura do Sistema Nacional de Seguros Privados, furtando-se todas as seguradoras à concorrência sadia e impedindo a livre iniciativa que poderia operar caso houvesse um ambiênte regulatório capaz de assegurar os pressupostos de livre mercado. Com base neste arrazoado, solicito as providências do Ministério Público Federal, na análise da legalidade desta relação entre o poder público e as seguradoras formadoras desta nova Seguradora Líder dos Consórcios DPVAT S.A, com fins específicos, assim como dos Convênios DPVAT desde o seu início, a qual substituirá esta seguradora, com base na mesmo arrazoado. Neste diapazão também a responsabilidade dos agentes públicos nesta determinação, visto que o assunto vinha sendo amplamente debatido e a gestão anterior da Susep vinha se restringindo a implemenbtá-la. Com a nomeação política para a autarquia a cerca de 45 dias, parece que o debate de anos tomou rápida iniciativa, chamando a atenção para o problema.
Textos recentes de minha lavra sobre o assunto:
O Oligopólio e o DPVAT
Soluções alternativas para o DPVAT
Seguradora Líder dos Consórcios DPVAT S.A.
O polêmico seguro obrigatório - DPVAT
Especial Seguro DPVAT- O jogo de interesses
Luís Stefano Grigolin, 43, corretor de seguros, consultor e especialista em tecnologia da informação, jornalista, com 29 anos de atuação no mercado segurador.

domingo, 14 de outubro de 2007

CORRETORES DE SEGUROS: SALVE-SE QUEM PUDER?

Os vampiros profissionais estão à solta. Eles sugam o seu sangue, o seu suor, o seu trabalho, a sua criatividade e depois lhes fecham as portas do mercado com barreiras à entrada bem sutís, como se não fossem eles à elaborar os obstáculos no seu caminho.
Alguns podem achar que é surreal a teoria da conspiração que existe no segmento de corretagem de seguros, mas alguns membros de nossa comunidade definitivamente não estão realmente a nossos serviços. Alguns de nossos parceiros estão usando nossos serviços para aprimorar novas ferramentas de vendas, sem nos remunerar por isso e nos descartar mais à frente. Isso é vero!

Escalabilidade a baixo custo, é isso que procuram através da massificação de produtos e de operações de bankassurance (comercialização de seguros nos balcões bancários e seus canais), ou utilização frenética dos balcões de bancos, muito valorizados em recentes negociações com as seguradoras. As principais seguradoras já se posicionaram atrás de seus balcões. Adianta neste contexto o corretor de seguros se profissionalizar, se qualificar, quando a regra do jogo define os vencedores antecipadamente?
Não espere alterações drásticas neste mercado, as evoluções vão ser cada vez mais lentas e graduais, a criação e inovação vão ser sempre de pequena monta. Não há uma revolução a caminho do mercado segurador. Então cada pequeno detalhe, cada pequena evolução é muito significativa e lucrativa. Portanto, cada vez que você inovar, sem os devidos cuidados, será copiado rapidamente e sua inovação vai ser distribuida pela cadeia produtiva sem cerimônia. Esse o jogo dos seguradores na última década, e quem não respeitou o profissional durante este tempo vai respeitar a comercialização na abertura de uma nova era de transações pelo cyber espaço? Desconfie do seu parceiro se ele disser que a internet não vende seguros. Esse é o próximo passo das companhias!
As diretrizes da classe dos corretores de seguros permanecem as mesmas. Ano após ano, evento após evento, o que observamos é uma subserviência econômica e profissional aos seguradores, o que não nos coloca em condições ideais de negociação de uma aliança estratégica, como deveria ser. Como profissão liberal regulamentada, e com grande parte dos profissionais sendo empresários, mantendo corretoras de seguros pessoas jurídicas, haveria de se esperar um maior profissionalismo no trato da relação com os seguradores. O ápice desta observação pode ser vista nos eventos tradicionais da categoria.
A intermediação de seguros no Brasil é regulamentada. Precisa apenas ser aprimorada, levada às minúcias, aos detalhes. Extratificada, ordenada e enriquecida. Atualizada na questão que define os canais alternativos, telemarketing, venda direta via internet, ampliação de filiais, sucursais e agências. Falta supervisão, falta enquadramento, entendimento, ação, fiscalização e imparcialidade. Falta auto regulação e regulamentação, apesar da montanha de normas produzidas pela SUSEP ( Superintendência de Seguros Privados, autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda) e pelo CNSP ( Conselho Nacional de Seguros Privados, também afeto ao Ministério da Fazenda). Falta consenso na categoria que está dividida, infelizmente.
Falta o apoio da única entidade de ensino, a Escola Nacional de Seguros (Funenseg) que apesar de contar com recursos públicos e ser mantida pela Fenacor ( Federação dos Corretores de Seguros) e Fenaseg ( Federação das Seguradoras), agora CNSeg, Confederação Nacional das Seguradoras, praticamente é uma miragem para a maioria dos corretores de seguros, tal a inadequação dos cursos oferecidos e seus custos estratosféricos. A inclinação para a formação de recursos humanos de seguradoras é evidente e já suscitou até a divisão da entidade em duas, o que não é de todo descartado ainda.
É inimaginável que tenhamos neste momento corretores de seguros à frente da Susep, da Fenacor e da Funenseg e passemos por uma dizimação como a que enfrentamos!
A principal premissa da legislação é o entendimento que o consumidor é hiposuficiênte diante das seguradoras, necessitando de um profissional independente capaz de traduzir o segurês, encontrar o melhor custo benefício na contratação e fornecer acompanhamento e defesa dos seus interesses na eventualidade de um sinistro, ou, evento coberto pelo contrato.
Isso requer independência, o profissional corretor de seguros em sua maioria não o é. Temos muitos agentes de companhias. O que não impede o exercício concomitante da corretagem de seguros. O corretor deve se apresentar ao cliente dizendo claramente se está alí representando o seu cliente ou uma determinada companhia. É lícito. E pode ser complementar. É uma exigência que o próprio mercado condiciona, há ramos que não se tem alternativa.
A falta de formalidade na relação do corretor de seguros com as seguradoras veio proporcionando uma espécie de dependência crônica, que hoje se transforma numa fraqueza na negociação entre as partes, para o corretor de seguros.
A cumplicidade no desenvolvimento do mercado de seguros, sem as garantias contratuais adequadas, deixa o corretor de seguros à mercê da boa vontade das seguradoras, do negócio apalavrado e nem sempre levado a efeito. Apesar de ter sido peça fundamental no crescimento e evolução do mercado, hoje o corretor de seguros passa a ser descartável. Depois de depurar os processos e métodos, de prospectar e levar conhecimento a um mercado avesso ao produto, num autêntico processo tentativa- erro, durante anos a fio, definitivamente a tecnologia vem proporcionando um processo de substituição de canais que já está em curso. Basta ver as páginas das principais seguradoras na internet. Já há desenvolvimento superior para o consumidor final do que para a intermediação do corretor de seguros.
Os discursos continuam os mesmos, de parte a parte, dos seguradores e dos líderes classistas. Os seguradores garantindo que o corretor de seguros é elementar, mas em contrapartida sonegando investimentos em tecnologia da informação para a ponta e os dirigentes pregando a qualificação, sem no entanto fornecer os requisitos mínimos estruturais de condições negociais equitativas, o que é pressuposto básico. Promessas, renovadas promessas, políticas cuspidas sem debates de base, minutas de projetos e comissões políticas sem representatividade nenhuma, sem conteúdo e sem perspectivas.
Não há definitivamente nível de qualificação ideal e muito menos universal que seja capaz de contrapor a sobreposição de canais alternativos com a nossa profissão, que possa combater a guerra de preços, a concorrência desleal, sem um projeto de defesa institucional da profissão garantindo contratualmente a relação de intermediação com a indústria. Dizer que o corretor precisa qualificar-se e colocar à disposição o que já se sabe de antemão estar disponível é chover no molhado. Não creia que poderá inovar e se diferenciar sem uma equalização das condições de mercado e uma normatização da comercialização nos seus aspectos negociais de equidade e transparência.
Delegar ao órgão regulador uma tutela da categoria, através de um Código de Ética é sinal de incapacidade na condução das negociações. Falar em regulamentar cooperativas de corretores sem combater o avanço ilegal dos bancos na intermediação é gozação. Principalmente partindo de um ex-integrante da classe que politicamente alçou vôo para a função de regulador.
Agora dizer que 75% dos problemas entre a indústria de seguros e o corretor de seguros estão solucionados, é devaneio puro! Se ouve de tudo nestes congressos, então os corretores fazem ouvidos de mercador para alguns discursos.
Então na verdade temos um salve-se quem puder?
Não necessariamente. Associe-se ao seu sindicato estadual e subverta esta ordenação de prioridades. Questione, discuta e faça valer a sua opinião. Questione seus parceiros seguradores diretamente. Hoje é você , seu colega, um conhecido, eu, amanhã somos nós todos questionando um determinado procedimento. Faça a sua sorte, não espere que isso aconteça por encanto ou osmose. Só conquistaremos nossas reivindicações com muito esforço e luta, não com convescotes e discursos inócuos.
Há uma enorme possibilidade de otimizarmos nossos ganhos frente aos elevados lucros das seguradoras. Precisamos de organização e estratégia. E principalmente a coragem, que tanto tem faltado nas negociações e eventos com nossos supostos parceiros.
Nossos problemas estruturais são de base e de caráter, de uma arquitetura sindical promíscua e remunerada por verbas oriundas das próprias seguradoras, indiretamente. Assim sendo, não se pode esperar nada mais além do que vemos, ou seja , nada!
Ocorre que, ação por omissão ou incompetência, também bloqueia nosso desenvolvimento enquanto categoria, e a ausência de um plano setorial estruturado impede o desenvolvimento individual, através da diferenciação por criatividade. Estamos em um círculo vicioso que exige a participação efetiva de todos. Não adianta tentar se destacar com excelência individual num mercado medíocre. A concorrência predatória se equipara ao esforço de criação, anulando todo empreendimento.
Há interesses inconfessáveis por trás desta inércia e dessa inação nebulosa. Esses interesses não prosperam se não houver vampiros profissionais remunerados entre nós!
Fiquem atentos aos movimentos de concentração e fusão de bancos e seguradoras e conheçam os verdadeiros novos participantes deste mercado. Eles é que determinarão as regras do jogo daqui pra frente, se não formos suficientemente competentes para dar um basta neste avanço ilegal na área de seguros. A tomada especulativa de seguradoras é só uma questão de tempo para grupos financeiros poderosos.
Salvem a sua profissão! Comecemos a nos organizar profissionalmente para o novo mercado! E definitivamente vamos abolir esses convescotes que discutem o nada para lugar nenhum e servem apenas para fazer a plástica e construir uma imagem holográfica para ludibriar corretores incautos.
Luis Stefano Grigolin, 43, corretor de seguros, consultor e especialista em tecnologia da informação, jornalista, com 29 anos de atuação no mercado segurador.

domingo, 7 de outubro de 2007

O BIG MAC EO MERCADO DE SEGUROS

O Big Mac é usado desde 1986 por The Economist para medir a paridade entre as moedas de 55 países.

A paridade do poder de compra (PPP) corresponde à taxa de câmbio entre duas moedas, calculada de acordo com a quantidade de cada moeda que é necessária para adquirir um determinado conjunto de produtos e serviços idêntico no país a que pertence cada moeda.
Pelas suas características, a paridade do poder de compra é muito utilizada para efetuar comparações internacionais do poder de compra e bem estar social existente em diferentes países.
Ao mesmo tempo em que, se usada a PPP( Sigla em inglês para Purchase Power Parity), o PIB brasileiro passa a ser o oitavo do mundo, a renda por habitante despenca para as piores da América Latina. Isto denota a socialização da miséria e a má distribuição de renda no Brasil. A PPP (parceria público/privada) tupiniquim que não sai do papel , juntamente com outra sigla o PAC (Programa de acelaração do crescimento) poderiam sim, ajudar a deslanchar o crescimento, se houvesse vontade política e menos interesse de políticos no congresso. Olhar para o desenvolvimento sem olhar para a renda per capta, 80% menor que a da Argentina, computando este padrão, é engatar a marcha à ré do crescimento econômico.
O crescimento sustentado do mercado de seguros está atrelado justamente à elevação da renda por habitante. Este é o fator capaz de dar pujança ao segmento.
Caso o preço em dólar de um certo produto, em determinado país, exceda o preço em dólar em algum outro país, haverá uma oportunidade de ganho para os agentes econômicos através da compra do bem no primeiro país para revenda no segundo país.
Com a abertura do resseguro, cada vez mais vai haver comparativos entre produtos de seguros e resseguros e seus preços relativos, levando a indústria de seguros brasileira à uma destruição criativa, como preconiza Joseph A. Schumpter.
Os índices do mercado, fortemente ancorados na relação percentual do PIB, certamente terão que ser mensurados por um novo padrão de comportamento de consumidores cada vez mais informados. Talvez o índice que reflita o desempenho das companhias de seguros possa ser por segurado atendido e em quantos ramos, além do prêmio ganho e sua capacidade de liquidar o maior percentual de sinistros. Não basta ser o maior, tem que ser o mais eficaz. Medir as seguradoras por esse ângulo talvez possa refletir o seu verdadeiro desempenho e desmistificar as lendas de alguns dinossauros fadados a destruição criativa.
Durante muitos anos, na vigência da tarifa do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) se teve como referência e tabú que o seguro de um autómóvel, por exemplo, custave 10% do seu valor. Com a abertura das tarifas há mais de 10 anos e a prática de precificação baseada em perfil essa realidade é bem diferente, passando a ter um caráter até de decisão sobre a compra de determinado veículo. As taxas hoje podem variar de 1,5% à 25%, de importados à motos, variando pelo modelo e pelo perfil do segurado.
Só que em busca de justiça tarifária e, não separando os riscos em grupos separados a exemplo dos consórcios por exemplo, colocando-os em um mesmo cesto, o que se vê é uma enorme distorção tarifária que impede o aumento de segurados. Claramente o critério trilhado foi o de maior lucro e seletividade, que saiu em média de 2% para mais de 20%, chegando a mais de 30% sobre o prêmio auferido em companhias mais aplicadas. Foi criada a anti-seleção, porque na busca de resultados de curto prazo as seguradoras só buscam fazer seguro de incêndio em caixa d'agua. Um ícone desta deformação mercadológica é a exclusão das pessoas com restrição cadastral, quando até o crédito foi flexibilizado para elas. Além de ser prática ilegal discriminatória, uma vez que amplamente é divulgado que este fator induz a fraude. É o tribunal de exceção do mercado de seguros. Inconstitucional, diga-se de passagem, é matéria para STF, assim como algumas aplicações de cadastros de utilidade pública como Serasa e SCPC. Quem compra seguro quer preservar o direito de garantir seus bens, não toma crédito. O parcelamento do seguro poderia ser negado de forma creditício, o acesso ao seguro não, assim como o acesso ao emprego por este dispositivo. Mas isto o Ministério Público Federal já está tratando, com toda a competência que lhe cabe. Outro ícone é o absurdo número de ações na justiça versando sobre indenizações. É um sinal que a indústria de seguros precisa se aprimorar e não tentar convencer magistrados de sua técnica. Os clausulados e cobertura tem que avançar, asim como a penetração do seguro na sociedade. As companhias que trabalham com risco não podem se vale da justiça para não pagar indenizações, a não ser em casos excepcionais. Mas a exceção virou regra. Não pagar significa lucro, distorcendo a essência da boa fé que norteia este mercado.
Com a amplitude da oferta, cada vez mais torna-se necessário a utilização de especialistas que possam orientar a compra do melhor custo benefício de coberturas para os riscos. O corretor de seguros, profissão regulamentada e voltada para a defesa do consumidor, por definição é o profissional apto a realizar esta consultoria. Comprar um seguro pelo preço, diretamente de uma seguradora ou de um banco sem uma análise detalhada está se tornando uma grande dor de cabeça. Existem inúmeros problemas constatados em vendas diretas que vão da simples venda inadequada de cobertura até as milhares de ações na justiça negando indenização em face de informações incompletas ou divergentes colhidas por profissionais não habilitados, geralmente funcionários de banmcos, concessionárias de veículos, lojas e magazines, entre outros, que obviamente não estão preparados, e as vezes legalizados, para a venda. É necessário saber, no entanto, se o corretor atua independente, atuando com diversas empresas, ou vinculado a uma única companhia. Neste caso a atenção do consumidor tem que ser redobrada, para não comprar gato por lebre.
Com a entrada de mais consumidores potenciais de seguros no mercado, oriundos das classes econômicas menos favorecidas, urge a formatação de seguros cobrindo produtos usados de forma comnpetitiva. Automóveis e bens duráveis usados são o grande mercado a ser formado pela expansão do crédito e consumo, uma vez que a maioria dos bens novos são adquiridos por pessoas que já mantinham apólices, representando em muitos casos um faturamento menor para as seguradoras, devido a melhora do perfil de risco de novos produtos, cada vez mais com tecnologia e segurança embarcada.
A venda one-to-one, consultiva e estruturada, para toda a gama de seguros patrimoniais e pessoais, previdência, saúde, capitalização, investimentos, consórcios e outras aplicações vai demandar mão de obra especializada dos corretores de seguros, e, necessariamente o seu conhecimento local. Não se realiza uma venda com este arcabouço por telemarketing ou com impessoalidade, nem mesmo sem um laço com o cliente. Com certeza a remuneração para este tipo de intermediação será diferenciada e romperá a trajetória de queda das comissões, voltando a ser valorizado o trabalho do profissional corretor de seguros.
Olho no poder de compra e na desburocratização da regulação do mercado de seguros, e acima de tudo, muita inovação, criatividade e transparência na formação de preços. Esta é a receita de bolo para o crescimento desse mercado.
Como no mercado bancário, onde a oferta de serviços e tarifas passou obrigatoriamente a ser amplamente divulgada e comparada, as tarifas de seguros necessitam do mesmo tratamento. Há muitos anos a formação de preços vem se tornando uma caixa preta, sob o pretesto de segredo de indústria e proteção da concorrência, quando na verdade serve para torná-la opaca, aos olhos até de especialistas corretores de seguros, contribuindo para aumento significativo de margens em até 1000% das seguradoras, comparando os últimos 10 anos.
Está na hora da Susep - Superintendência de Seguros Privados ( órgão regulador do mercado de seguros e resseguros) dar transparência e proporcionar que o livre mercado possa determinar os melhores produtos. Isso necessariamente passa pela regulamentação da oferta imperfeita, vedada pelo Código de Defesa do Consumidor, realizada pelas companhias , que ofertam condições diferenciadas para um mesmo risco de um mesmo cliente. Essa prática fere a livre concorrência, prejudica consumidores e causa concorrência desleal entre corretores, tendo como único objetivo a conquista de market share pelas seguradoras, usando a potencialidade de corretores mais estruturados através de práticas ilegais e até dumping, prejudicando a concorrência entre seguradoras.
Se os agentes de mercado popularizarem os seguros como o MacDonald's conseguiu popularizar o Big Mac, poderão vender um bom produto a preço justo, com paridade de poder de compra e índices de penetração mundiais.
Luís Stefano Grigolin, 43, corretor de seguros, consultor e especialista em tecnologia da informação, jornalista, com 29 anos de atuação no mercado de seguros.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O RANKING, O RATING E O SUB PRIME DO MERCADO DE SEGUROS

O mercado de seguros é a ovelha negra do sistema financeiro nacional. O mais atrasado dos mercados, sequer conta com um ranking up to date, um rating com classificação de riscos aceitáveis e conta com uma porção de sub primes, assim entendidos os riscos sub avaliados ou mesmo aqueles sujeitos a preços bem abaixo dos custos, praticados em nome de fatia de market share ou mesmo cobertura de fluxo de caixa.
Ano após ano, se precifica com os olhos voltados para o que ocorre no passado, sem previsibilidade e coragem de se traçar planos de seguros com modelos atuariais complexos. Então o mercado simplesmente não se desenvolve. A criação é execrada em praça pública e a inovação é sempre postergada.
Falta transparência a este mercado! Falta uma agência reguladora profissionalizada!
Sem risco ( o bom risco e não o da transgressão) não há lucro. Esta frase secular que alimenta o capitalismo e forma uma de suas bases, parece não ser muito difundida no mercado que administra riscos. Onde estão os riscos podres, os maiores desencaixes e como eles são cobertos, estes dados permanecem sempre encobertos por uma espessa névoa que nem mesmo a concorrência é capaz de dissipar? Não que não tenham o mapa da mina, mas ao tentar dissipar a névoa do concorrente pode estar provocando a dissipação da sua também.
A grande defasagem de tempo entre as informações fornecidas pelo órgão regulador, a Susep - Superintendência de Seguros Privados e a forma primária como são colhidos, compilados e entabulados, não fornecem a clareza necessária a visibilidade da saúde financeira das seguradoras e suas estratégias de precificação, colocação e rentabilidade. Vou mais longe, nem mesmo a adequação de margens de solvência que estão sendo implementadas contemplam o que estou apontando.
Outro fator que muito influencia este estado de coisas é o grande retorno financeiro que ainda as seguradoras obtém, mascarando resultados que podem ser considerados exuberantes ante os resultados da última década. Quantitativamente podem ser, mas qualitivamente são um desastre. O número de apólices e novos tomadores de seguros não cresce na mesma proporção dos lucros, o que denota uma perda de qualidade na liquidação de sinistros, com fraudes, e, despropositadamente uma operação de estrangulamento dos preços pagos aos reparadores, corretores de seguros e demais prestadores de serviços, representando um tiro no próprio pé, uma vez que quem sente estes efeitos é o consumidor final, o cliente segurado. E o círculo vicioso se completa inibindo a entrada de novos segurados. Cresce o faturamento mas há estagnação no número de apólices e se mascara, com a inclusão de produtos que são mais parecidos com investimentos do que propriamente com a cobertrura de riscos, os resultados.
As informações sobre o que tem ocorrido no mundo dos seguros, chega ao Brasil com uma distorção notável em eventos de grande monta como a Conseguro, realizada pelos seguradores nacionais o mês passado. Ao ter acesso ao conteúdo da íntegra das palestras, pude notar a peculiar visão tupiniquim que se aplica aos modelos internacionais.
É preciso um certo cuidado com as análises de oportunidades de negócios neste mercado, procurando saber exatamente em que critérios estão pautados algumas demonstrações elaboradas pelas próprias companhias ou a seu encargo, ou mesmo pelo órgão regulador. Na mesma linha dos derivativos e operações estruturadas de hedge, que pouquíssimos economistas e especialistas são capazes de definir com clareza e prever seus efeitos danosos por estas bandas, as análises do mercado segurador tem suas peculiaridades, que curiosos e palpiteiros de plantão no mercado de seguros e resseguros não tem a mínima noção. E o diagnóstico é simplório: as melhores cabeças deste mercado sofrem com a hierarquia de suas próprias companhias. Cérebros são contidos e esmagados por hierarquicas panças esféricas executivas, habilmente esculpidas nos melhores restaurantes Brasil a fora, deixando novos conhecimentos à margem, em detrimento da manutenção do status quo reinante dos "cabeças de planilha", com o aval dos acionistas, que provavelmente muito menos, conhecem seguros na sua essência . Afinal banqueiros gostam de dinheiro, não de riscos!
A dinâmica da formação de preços, concorrência, e margem neste mercado guardam a complexidade de algumas operações do mercado financeiro, mas não são arquitetadas com o mesmo requinte técnico, levando a incertezas cada vez maiores. Não há muita lógica em se estruturar preços olhando para o passado sendo que os riscos se multiplicam e se alteram a cada dia.
A expertise em tecnologia da informação levou o mercado financeiro nacional a um patamar de excelência mundial, tendo demonstrado isso na abertura do mercado aos bancos estrangeiros, para aumento de competição, onde mantiveram suas "cabeças de ponte" intactas, preservando as posições de ranking das principais instituições nacionais, frente ao poderio financeiro dos grupos internacionais.
Já no mercado de seguros, a demora no entendimento na necessidade de tecnologia nas operações, a falta de interatividade e objetividade no B2B, a colcha de retalhos de sistemas e processos obsoletos, a inadequação de projetos de B2C, ou mesmo remotamente C2C, desestrutura a capilarização de corretores de seguros e trava o crescimento das vendas. Por sua vez o emergente mercado de resseguros precisa de pelo menos uns cinco anos de maturação e muito trabalho de ordenação jurídica e de desenvolvimento de práticas comerciais, que estão se mostrando complexas.
A simplificação de processos, produtos, cobrança e comunicação e escalabilidade é uma afronta ante aos altos investimentos propagados pelas seguradoras em tecnologia da informação. Para implementação de processos nesta área há necessiadade de amplo conhecimento de mercado, não de renome internacional. Há que se ter credibilidade com milhares de players e não se apresentar como ameaça de extinção de segmentos em desastrosos programas de reengenharia e outsourcing. Estão quebrando ovos demais para um omelete que requer muito menos ingredientes. O resultado é previsível.
Ou este mercado se profissionaliza, ou vai virar mais um reduto político a ser explorado por sucessivos governos despreparados, que continuarão a proporcionar um descompasso entre o mercado financeiro e o mercado de seguros e resseguros. Ou quem sabe mais um departamentozinho sem expressão no organograma dos bancos.
Até quando seremos a ovelha negra do Sistema Financiero Nacional ou base de testes e de formação de políticos em ascenção via barganha política, senhores líderes setoriais?
Está na hora de instaurar o CFN - Conselho Financeiro Nacional, englobando todos os mercados financeiros, de seguros e resseguros, com representantes de notório saber, apoiados por legislações específicas e setoriais, criando as agências reguladoras com profissionais de carreira e mandato, com instrumentos hábeis de controle externo de suas atividades, que tem que estar voltados para resultados para toda a sociedade. Urgem reformas!
Luís Stefano Grigolin, 43, corretor de seguros, consultor e especialista em tecnologia da informação, jornalista, com 29 anos de atuação no mercado de seguros.

Convenção Coletiva de Consumo