PL 3555/2004 Câmara dos Deputados Veja a íntegra da audiência pública

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Grigolin declina da candidatura ao Sincor-SP

Em decisão na tarde desta sexta-feira 15/01/2010, data limite para inscrição das chapas que concorrem à eleição no Sindicato dos Corretores de Seguros Sincor-SP, o grupo liderado por Luís Stefano Grigolin decidiu não inscrever a chapa previamente formada.
A falta de entendimentos sobre uma chapa de consenso que representasse a oposição foi a causa da medida. " Já nas eleições anteriores tivemos esta postura, e na oportunidade, retiramos o apoio a outra chapa oposicionista, tendo como resultado a manutenção da atual diretoria."A falta de consenso e divisão na oposição tem levado sistematicamente a esta manutenção da atual gestão", diz Grigolin.
Nesta feita o grupo decidiu por apoiar a chapa inscrita que tiver o melhor programa e submeter o plano de gestão do sindicato aos corretores de seguros para que a classe possa pressionar a chapa vencedora a seguir as linhas sugeridas, se assim entender.
"Com altruísmo e longe da fogueira das vaidades vamos alcançar nosso objetivo social, que se impõe neste momento, diz Grigolin."
"Estamos tentando romper com esse paradigma mas, sem consenso, tenho a impressão que o grupo encastelado tem tudo para ter mais três anos de mandato", dispara.
A experiência recente nos estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul não foram suficientes para que houvesse um pouco mais de integração entre a oposição, conclui Grigolin.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Bancarização e concentração no mercado de seguros e seus efeitos perversos

Bancarização e concentração no mercado de seguros e seus efeitos perversos para a distribuição e consumo


Há mais de uma década venho apontando a bancarização e concentração do mercado segurador como fator preponderante de uma aniquilação da corretagem de seguros e, como desdobramento, a hiposuficiência do consumidor brasileiro de seguros.

A ausência de instrumentos regulatórios eficazes, aliado a falta de combatividade das seguradoras locais, levaram os bancos, nesta década, a assumir o controle de oligopólio no setor de seguros.
Os fundamentos do antitruste identificam claramente em que circunstâncias um mercado passa a ser dominado por oligopólio, como dominam a formação de preços, mantém empresas marginais e determinam margens. Não bastasse a concorrência desleal praticada nesse regime, as seguradoras criaram um segundo nicho de concorrência predatória entre a distribuição de seguros, determinando margens, concorrências entre corretores de seguros, em clara configuração de abuso de posição dominante.
Formação de cartéis, prática de dumping, acordos verticais, coibição de atuação, imposição de preço de revenda, aumento de custos dos concorrentes, são alguns dos efeitos perversos criados pelas práticas anti-concorrenciais no mercado de seguros brasileiro.

As margens nesta década foram multiplicadas por 10, partindo de uma média de 3% para alcançarem 30% nas operações das seguradoras dominantes.

O market share e o percentual sobre o lucro dos conglomerados bancários indicam qual é hoje a importância deste mercado em termos de resultados.

A cobiça pelo mercado de distribuição vem fazendo com que as seguradoras se posicionem de forma a destruir os canais de produção existentes, uma vez que com a expansão do mercado, os valores passaram a ser expressivos.

As leis antitruste e sua interpretação de extraterritorialidade buscam definir a delimitação do mercado relevante, os acordos verticais e o prejuízo a concorrência. De outro lado o código de defesa dos consumidores veda a precificação diferenciada, a facilitação de conluio, falhas de informação ao consumidor, venda casada, discriminação e não aceitação de riscos diferenciada sem o devido respaldo legal, assim como a negativa de indenização sem as condições mínimas técnicas e contratuais de fazê-lo.

A repressão ao abuso de dependência econômica, o abuso de poder econômico, a infração aos dispositivos garantidores da livre concorrência e o enriquecimento sem causa, estão nos diplomas legais e nos entendimentos dos tribunais.

Papel relevante terão a Secretaria de Acompanhamento Econômico SEAE, a Secretaria de Direito Econômico SDE e o CADE, na análise dos efeitos proporcionados por esta concentração.

A aplicação de análise creditícia para aceitação de risco e a ausência de contrato de distribuição formal com os corretores de seguros, que hoje ocorre de forma tácita, são fatores de desestabilização de mercado.

A ausência de finalidade do órgão regulador do mercado de seguros, a Susep - Superintendência de Seguros Privados, na defesa dos consumidores, para o qual foi criado, é gritante e se reflete no ícone da criação da Seguradora Líder dos Consórcios de DPVAT, criando uma reserva de mercado legal inimaginável, ao invés do processo licitatório.

Nesse sentido, e com base num amplo estudo sobre a questão, estuda o Ministério Público Federal, ações no sentido de coibir o abuso no mercado de seguros, preservar a distribuição que representa o consumidor, no Sistema Nacional de Seguros Privados. Notório se faz a indiferença das entidades representativas do mercado que ignoram as práticas ao seu bel prazer e entendimento restrito. Uma CPI Estadual já foi aberta e caminham tratativas de uma CPI no Congresso.

Luis Stefano Grigolin, 45, é corretor de seguros, jornalista e especialista em tecnologia da informação. Suplente de Deputado Federal e de Vereador pela cidade de São Paulo nesta legislatura. É candidato à presidência do Sincor-SP, entidade que representa os corretores de seguros no Estado de São Paulo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

MAIS DO MESMO OU RENOVAÇÃO?

Desde 1992, quando o atual grupo que lidera o Sincor-SP sucedeu Octávio Milliet, que não concorreu à reeleição, tenho desempenhado o papel de vilão que nem todo mundo se dispõe a interpretar. Sou crítico contumaz de uma gestão que nos últimos 17 anos vem nos dando mais do mesmo. Visto como inimigo número 1 da atual gestão e tido papel preponderante na imposição de eleições no Sincor-SP, que até esta data mantinha o hábito anti-democrático da aclamação por unanimidade, que nem sempre representava de fato a consciência da maioria. Quebrado este paradigma, em 1995 tivemos a primeira eleição do sindicato em sua história. Representou a oposição Osmar Bertacini, que foi surpreendido pelas caravanas de ônibus do interior, organizadas pela atual situação, para que votassem no único ponto de voto, na capital paulista, sede do sindicato. Em 1998 encabeçei a chapa de oposição pela primeira vez e a mudança de regra levaria a votação nas delegacias do interior, com a entrega de lista de votantes com 30 dias do pleito, numa verdadeira palhaçada eleitoral. Em 2001 concorri novamente ao pleito e o uso da máquina novamente se fez presente através de eventos e do cerceamento da nossa palavra, mais uma vez manipulando a entrega do cadastro atualizado para que fizessemos a campanha. Note-se que até então não havia a penetração da internet como temos hoje, e o domínio sobre os dados era crucial para se entrar em contato com os corretores via mala direta, com custos elevadíssimos, pois tivemos que usar um cadastro defasado de todos os corretores, mesmo os não sócios . Nestas duas disputas concorri com João Leopoldo Bracco de Lima, que viria posteriormente a ser afastado da direção do sindicato por este mesmo grupo. Nas duas últimas eleições Edson Lasse Fecher encabeçou a disputa contra Leôncio de Arruda, sem êxito, apesar de já contar com as ferramentas de comunicação que permitem hoje sobrepor a questão do cadastro.
Durante todos esses anos exerci um papel crítico e construtivo, através de revistas , sites e portais na internet, e mesmo na grande imprensa, no sentido de prover a discussão sobre as formas de defesa institucional da categoria, mas como represento uma ameaça direta aos anseios de permanência indefinida desse grupo que ora comanda o sindicato, as minhas idéias foram sempre preteridas e a história do sindicato cabe aos vencedores.
Comprei a briga do sindicato com a Federação Nacional dos Corretores já que nossos anseios também não eram defendidos de forma cabal por aquela entidade, o que levou a uma verdadeira guerra no judiciário durante mais de quatro anos em processos em quatro estados,já pacificada. Mas hoje por uma questão jurídica que envolve pessoalmente nosso presidente por atos de administração, o Sincor-SP de fato não age com a Fenacor. E a impessoalidade da representação?
Mas o que de concreto apresentou esta gestão nos últimos 17 anos senão a submissão aos seguradores em troca de visibilidade e patrocínio para grandes eventos que guardavam a intenção pura e simples de manter o sindicato sob controle?
Pelo contrário, com o grande crescimento do mercado a maioria esmagadora dos corretores involuiu. Então proponho esta minha nova candidatura com um planejamento estrutural de reformas de base no sindicato dos corretores de seguros de São Paulo, com foco na defesa institucional da profissão, com um arcabouço jurídico e trabalho de consultoria elaborado por mim, num amplo estudo sobre o assunto, e que cheguei a oferecer aos atuais líderes para que estudassem a compra do trabalho de compilação de mais de uma década. Nem sequer quiseram ver o trabalho e assinar o termo de compromisso e confidencialidade para análise . Faz parte do rol de ações fundamentais do sindicato a elaboração de estudos para viabilidade e melhora da categoria. Milhões foram pagos em consultoria durante este período. Mas o trabalho de um opositor não tem valor. Santo de casa não faz milagres.....será? Vou pagar pra ver!
Então colegas, vou doar meu trabalho como base de uma campanha para substituir quem não faz pela defesa institucional ou por incompetência ou por conveniência, não se sabe.
Passarei a expor o trabalho de hoje até março de 2010, em capítulos, para que seja discutido ponto a ponto com todos os corretores de seguros aos quais temos acesso eletrônico.
Para participar das eleições é necessário 6 meses de filiação ao sindicato. Portanto quem quiser votar nos rumos de sua profissão deve fazê-lo ainda este mês. Quem não fizer vai dar aos colegas inscritos no Sincor-SP a procuração para eleger o novo presidente.
Não dê cheque em branco para a sua profissão. Pode ser que a conta profissional possa ser encerrada no próximo período de gestão, pelo andar da carruagem. A ameaça da venda direta e dos agentes só dependem de reformas prestes a serem tratadas pela indústria de seguros após as eleições, através de seus lobistas.
Não se deixe encantar pelo pão e circo e pelo canto da sereia! Mais do mesmo ou renovação?
Vamos lutar essa batalha juntos?

Luís Stefano Grigolin

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ameaça à distribuição de seguros preocupa mercado

A notícia de uma provável reestruturação da área de seguros do Banco do Brasil, noticiada por Exame em 06.02.2009 e ratificada no Portal Exame em 10.02.2009 deveria ser no mínimo preocupante para a classe dos corretores de seguros, por dois motivos: o primeiro seria a forma como se distribui seguros nas empresas do grupo, ou seja prioritariamente em agências por funcionários do Banco do Brasil, sem a participação de corretores de seguros nas operações per si, apenas protocolarmente assinadas por um corretor de seguros responsável para dar suposta legalidade à operação de monopólio. A exclusão dos demais corretores representa dumping, tendo em vista a desoneração com relação à corretagem e prática de preços inferiores em decorrência deste fato, além da utilização de instalações e funcionários do BB.
O segundo seria a leniência dos órgãos representativos de classe dos coretores de seguros que foram coniventes com uma saída questionável encontrada pelo jurídico do banco anos atrás, que foi tornar os funcionários do banco, prepostos do seu corretor. Isto representou para as entidades classistas uma substancial soma de taxas cobradas para o credenciamento desses bancários como prepostos, salvo melhor juízo, ilegalmente.
Ocorre que não há notícias da inscrição da BB Corretora de Seguros em todos os municípios e nem mesmo do recolhimento de impostos nos mesmos como dispõe a lei.
O Decreto Lei 73/66, impede que corretores de seguros mantenham relação de trabalho com as seguradoras e sendo seus prepostos extensão de sua personalidade e considerando o grupo econômico do Banco do Brasil, seus funcionários estariam impedidos de exercer o cargo de prepostos.
Não bastasse isso é recorrente a reclamação de bancários que são obrigados a cumprir metas de seguros como condição até de permanencia no trabalho e para crescimento profissional em sua carreira, o que configura a atuação em grupo econômico. Ademais os acordos de exploração de agências bancárias a ratificam.
Neste contexto, os corretores de seguros estão desassistidos com um poderoso grupo econômico ávido por aumentar seus lucros declaradamente e por outro lado uma organização sindical silente quanto ao fato.
Cabe na defesa dos direitos difusos e coletivos dos envolvidos, inclusive aí o do consumidor sem a assistência de um corretor que efetivamente esteja comprometido com a defesa dos seus interesses e não uma empresa do grupo que mantém um corretor de aluguel à seu dispor e interesse, que o Ministério Público Federal acompanhe esta iniciativa de invasão do mercado em relação as leis de concorrência, do consumidor e práticas contra a economia.
Estamos representando nesta data para que seja objeto de acompanhamento devido do Ministério Público e ao mesmo tempo esperando que uma possível seguradora parceira se manifeste ao convite feito pelo BB , para que possamos avaliar a possibilidade de boicote a esta parceira caso venha a continuar as operações excludentes dos demais corretores de seguros.
Luis Stefano Grigolin
Corretor de seguros, consultor em T.I, jornalista, suplente de deputado federal e vereador pela cidade de São Paulo na atual legislatura e candidato à presidência do Sincor-SP.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Perspectivas do mercado segurador em 2009

Uma das questões mais relevantes do mercado segurador, neste ano que se inicia, será o market share das principais companhias de seguros.
O estreitamento da concorrência entre não mais que dez grupos desencadeiará uma feroz busca por participação de mercado, que se dará de forma tradicional, por fusões, aquisições e de forma mais moderada, por busca de novos mercados e canais alternativos. Competição não é a virtude deste mercado oligopolizado.
A não tão surpreendente saída de milhares de corretores do mercado de seguros, identificada no recadastramento obrigatório, vai propiciar um melhor mapeamento e interação da índústria de seguros com a distribuição. O grande problema é a concentração das operações por escala, fomentada de forma perversa pelas seguradoras e que inviabiliza a maioria destes profissionais, representando um grande problema de longo prazo, uma vez que o desistímulo financeiro e operacional tende a cada vez mais reduzir este canal de distribuição, consequentemente a capilarização.
Na ponta do consumo, os clientes podem esperar um aumento substancial nas cotações de seus seguros, tanto pelo aumento da sinistralidade, como pela perda de eficiência do setor, aliado ao fato que a situação de crise mundial, que o país deve sentir com mais clareza já nos primeiros dias do ano, deve afetar a disposição de investimento no setor, que acompanha o desempenho econômico, portanto, esperando-se um decréscimo nas operações de modo geral e desistimulando investimentos estruturais. Demissões na indústria de seguros serão inevitáveis.
Com crescimento nos últimos anos bem acima dos outros segmentos, o mercado de seguros sentirá uma forte retração ao longo dos próximos dois anos e demandará uma regulação mais eficiente nas relações de consumo, tanto na precificação quanto no atendimento, que vem deixando a desejar, dado o alto número de ações na justiça e demandas nos órgãos de consumo.
Um ano que vai requerer reestruturação, reposicionamento e muito trabalho para os profissionais das seguradoras e corretores de seguros que no mercado permanecerem.
Luis Stefano Grigolin

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os fundamentos da crise não são sólidos


Por mais que tenha me esforçado para entender as explicações de um sem número de economistas sobre as responsabilidades da crise, não vejo uma explicação plausível.

Há de fato um prejuízo incomensurável a um número desconhecido de investidores e cidadãos que estão pagando a conta via governos de seus países. Se há prejuízo de um lado, há ganhadores de outro. É preciso, portanto, identificar os ganhadores e deles cobrar, direta ou indiretamente, parte desses prejuízos socializados. É preciso identificar as autoridades que por omissão, deixaram a frouxidão regulatória atingir quem investia e agora quem sequer investia.

Se não há como tipificar financeiramente e economicamente estes eventos, o direito é farto em definições. Enriquecimento ilícito, ou sem causa, estelionato, omissão, fraude, especulação, e por aí vai uma romaria de termos que se enquadram.

O que não pode haver é dois pesos e duas medidas. O capital especulativo tem se mostrado tão danoso que deveria ser tipificado criminalmente. Se um ladrão de galinha lhe subtrai algo de seu galinheiro há tipificação e pena. Se um banqueiro de investimento com bônus anual milionário lhe vende papéis sem o mínimo lastro, mesmo dentro das "regras" e lhe causa dano, é igualmente culpado. O que muda é a forma e a sofisticação do delito. Se este delito torna-se de tal sorte potencial que passa a atingir indistintamente, os cidadãos, os investidores, as instituições e os governos, a gravidade do delito está aí configurada.
Se tenho dificuldade em entender as explicações dos economistas não tenho dificuldade nenhuma em tipificar como crime, ato que igualmente lesem quem quer que seja.

É uma questão de bom senso.

Ou organizam o caos ou nos locupletemos todos desta baderna financeira. Eu quero minha parte em dinheiro, não aceito títulos!

Luís Stefano Grigolin

domingo, 12 de outubro de 2008

ORIGEM DA CRISE É MUITO ELÉM DO SUBPRIME

É impossível querer separar o mercado financeiro do mundo real da economia, na indústria, no comércio, no agronegócio e nos serviços. Praticamente todos os negócios dependem do fluxo de capitais do mercado financeiro, assim como a recíproca é verdadeira. Sem o movimento da economia real, aquela que efeivamente produz mercadorias e serviços, não haveria espaço para produtos financeiros, bolsas de valores e mercadorias. 

Esta crise não está restrita ao mercado financeiro. Ela é estrutural, está distribuida pela cadeia produtiva na mesma medida em que os investimentos migraram do mercado formal financeiro para o mercado de commodityes, que interferem além do suprimento financeiro das necessidades de empreendedores e passam a ditar a performance de segmentos produtivos inteiros. O que há nesse instante é um mega desajuste deste complexo sistema, criado pelos derivativos irracionais que tentaram artificialmente multiplicar o capital real à disposição dos mercados.

Por tratar-se de uma crise inédita, estão tardando os diagnósticos mais abrangentes, mesmo porque os mesmos gurus que foram incapazes de prevê-la , freneticamente tentam explicá-la.

A crise é do que convencionaram chamar de globalização. A globalização, este mecanismo complexo que tentou controlar os mercados mundiais em termos globais, está fazendo água. De tão simples parece ridículo, mas é tão abrangente que foge aos olhos dos cabeças de planilha que ocupam os cargos de economistas chefes das principais instituições financeiras, governantes e "especilistas". Estamos diante de um problema que está relacionado diretamente a economia real e não podemos tratá-la como uma crise financeira. As respostas à crise estão sendo balizadas em função das repercusões dentro das fronteiras dos países, dando o primeiro passo para a inversão da globalização e a volta ao tradicional comércio multilateral entre países. Então estamos diante de uma crise de valores que questiona a globalização em sí. Não é uma crise de credibilidade em instituições financeiras, mas de mecanismos de controle nacionais e mundiais. Estamos diante de um novo paradigma, e da formação de uma nova geopolítica e uma nova geoeconomia.

A crise já permeou o comércio exterior, a agricultura, a indústria , o comércio e os serviços e os seus reflexos vão se sentir através da drástica redução de atividade econômica e receitas de impostos. Na contramão o governo brasileiro, em função direta das eleições municipais de Outubro, deixou de exercer os mecanismos de defesa, quando publicamente não identificou a gravidade da crise, apesar de ser conhecida dentro do Palácio do Planalto sua extensão.

O equívoco de posicionamento deve-se em parte ao desconhecimento de causa realmente, em parte ao amadorismo com que foi tratada a situação, e em grande parte por falta de liderança. Em sua primeira crise durante todo o seu governo, Lula mostra o seu despreparo ao bradar ao mundo uma suposta impermeabilidade à crise, tendo como partida uma reserva de 200 bilhões de dólares, diante do derretimento de trilhões de dólares em patrimônio. Ou é ingenuidade ou despreparo. Ou as duas alternativas em conjunto, não há outra possibilidade, e fico com a terceira alternativa.

Lula agora entende o dilema de enfrentar uma crise de grandes proporções e o porque da necessidade de uma política econômica austera. Reluta ainda em fazer o que de imediato deveria estar fazendo, o corte nas despesas públicas, a informação da gravidade à população e o imediato rompimento entre o cidadão que ocupa o cargo de presidente da república e o político.

Diante da extensão e duração da crise, que certamente ultrapassa o seu mandato, que certamente demandará a união de todos os políticos, empresários e cidadãos para esforços em comum, espera-se uma atitude à altura do presidente da reública.

É uma questão de ser ou não ser estadista. 

Luis Stefano Grigolin

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O XIII Conec e a liderança dos corretores de seguros

Ocorrido às vésperas da eleição municipal de 2008, nos dias 02,03 e 04 de Outubro no Palácio de Convenções do Anhembi, na cidade de São Paulo, O XIII Conec foi o mais político de todos os congressos da categoria.
Com a organização impecável, que a experiência e algumas dezenas de milhões de reais que estiveram a disposição de Leôncio de Arruda, chegando a casa da centena nos últimos 16 anos em que lidera a classe, a maioria deles oriundos de seguradoras, o congresso passa para a história como o maior dos encontros de corretores de seguros, talvez até em escala mundial.
Esse trabalho é resultado do esforço reconhecidamente vitorioso do sindicalista e de seu grupo político de aproximadamente 260 pessoas, que formam o que chamam de diretoria plena. O engajamento e determinação são louváveis na tentativa de promoção da categoria junto aos políticos, empresários e a população em geral, notadamente no endomarketing, para dentro do circuito do mercado de seguros. Entre seguradores, securitários e corretores de seguros a sua liderança está consolidada.
Mas nem tudo o que reluz é ouro e nem tudo que balança cai!
Os bastidores deste congresso foram recheados de confrontos políticos, alguns explícitos, outros bem camuflados. Leôncio de Arruda joga suas últimas fichas numa arriscada jornada que começou em 1992 e que tinha a liderança da clase como objetivo à qualquer preço. E a fatura lhe é apresentada neste momento. O XIII Conec pode não passar de uma vitória de Pirro!
O que muita gente não sabia era que as ambições do líder paulista estavam muito além do congresso propriamente dito. Leôncio está sitiado. Está cercado pela discórdia que plantou com todas as outras lideranças da classe. Está isolado e pisando em ovos representados pelas diversas ações na justiça da qual pode ser responsabilizado. Está na iminência de ser destituído do cargo por decisão judicial. Se isso vier a se configurar estará inelegível para qualquer cargo ou função pública, colocando por terra sua maior ambição: a de se tornar um político. Este verdadeiramente o seu objetivo, buscado, repito, à qualquer preço!
Estavam em jogo a ascenção e queda de popularidade da situação e oposição do Sincor-SP, e o nome do jogo era a indicação política da eleição municipal. Não fui páreo para Leôncio que indicou um não corretor, o vereador eleito Paulo Frange, diga-se de passagem, me antecipou estar eleito, sem mesmo a adesão da categoria. Minha candidatura a verador naufragou fragorosamente. A disputa pela liderança no âmbito nacional da Fenacor, porque não é de hoje que Leôncio tenta retornar à entidade, depois de ser colocado à margem, por improbidade, da qual responde na justiça, foi protagonizada pela questão eterna do Banco do Brasil, da qual ninguém pode se julgar vencedor em nada até porque nada de efetivo foi conseguido por quem quer que seja. A desavença com o Superintendente da Susep, cargo que Leôncio abertamente pleiteava e que é ocupado pelo seu principal desafeto político e algoz na justiça, tornou o talk show entre as principais autoridades do setor uma disputa varzeana de compadres sindicalistas. Leôncio parece não se dar conta que Armando Vergílio dos Santos Júnior, queira ou não, ocupa o cargo de regulador do mercado de seguros e não mais o de sindicalista. Não houve o devido respeito e como anfitrião, falhou propositalmente, como ficou evidente. Era a chance de uma revanche, uma pelada política, que não foi aceita pelo superintendente, que manteve a sua postura de homem de governo, muito sabiamente e previamente advertido sobre a armação.
A adesão maciça de corretores paulistas e principalmente de outros estados revela que a toalha não será jogada antes do último gongo tocar.
Admiro a ousadia e a confiança, a fé inabalável no futuro, mas diante das circunstâncias e de detida reflexão, nada a declarar antes que o tempo faça a sua parte. As sementes foram colocadas a seu tempo e florescerão nesta primavera. Resta saber o que líderes fizeram no verão passado, pois não haverá mais verões para alguns, não à frente da liderança de classe.
Enquanto a politicagem corre solta na classe dos corretores de seguros as seguradoras se estruturam de forma notável. E avançam na distribuição de seguros pelos canais alternativos!
Luís Stefano Grigolin

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A crise financeira americana e os reflexos no mercado de seguros

Ao associar-se com a AIG, a maior seguradora dos E.U.A., o Unibanco buscou um sócio de peso para a seguradora do grupo. Ao capitalizar a agregação da marca americana à sua marca, além da capitalização propriamente dita, provavelmente o board do Unibanco não esperava por esse desenrolar, que levou seu sócio a beira do caos. A crise é dramática, mas se a AIG não tiver socorro, derruba o resto do mercado americano de seguros. Apesar da economia americana ser baseada no capitalismo selvagem, ainda não há sinais de canibalismo, mesmo porque a crise de confiança gerada por uma quebra desta magnitude seria um tiro no pé da concorrência também, que se tornaria igualmente vulnerável.
Aqui no Brasil a Unibanco AIG é um player respeitável, que atua em parceria com corretores de seguros, com um grau de desenvolvimento de produtos, serviços e back office para sua clientela de corretores e consumidores finais muito relevante. Não há porque então maiores desdobramentos no relacionamento entre corretores de seguros e a seguradora.
O problema passa a ser interna corporis, de ajuste societário e de trabalho de contenção de especulações via uma resposta rápida ao mercado. Em seu comunicado à imprensa ontem 15.09.2008, com firmeza, clareza e determinação o Unibanco se posicionou adequadamente.
Torço para que a companhia possa de forma contundente transpor este impacto mercadológico direto, uma vez que as informações alcançaram diretamente os clientes em comum da seguradora e corretores de seguros. O Sistema Nacional de Seguros Privados é sólido no Brasil, o órgão regulador vem exercendo papel firme na condução da solidez das empresas que nele atuam e não há porque criar-se a instabilidade diante de um fato, que pode não ser isolado, mas que seguramente, será administrado rapidamente pelas autoridades e pelo mercado. Neste momento presto solidariedade ao Unibanco e conclamo os corretores de seguros a agir de forma profissional.

Luis Stefano Grigolin

quinta-feira, 22 de maio de 2008

É preciso mudar

O mercado de seguros sofreu mudanças significativas na sua estrutura de indústria e regulação na última década. Estas mudanças porém nem de perto foram acompanhadas pela distribuição de seguros, no seu principal canal, o de corretores de seguros.
Perdem com isto os consumidores de seguros que tem na figura do corretor de seguros o seu guardião, papel inclusive delegado pelos diplomas legais em vigência.
Procurar culpados é tarefa fácil, mas vamos pular esta parte e ir direto ao que interessa, precisamos é de soluções imediatas para os conflitos existentes.
Com este intuíto passo a publicar estudos e artigos, resultado de muito estudo e discussão sobre o tema, por parte de pessoas idealistas que propõem soluções ao mercado, que nem sempre as recebe com bons olhos, uma vez que fere interesses. Divulgar é preciso, para que mais agentes econômicos do mercado tomem ciência que há vida inteligente além das muralhas do sindicalismo, da liderança de classe, das entidades representativas e órgãos reguladores. A distribuição e o consumo foram esquecidas literalmente por esta casta que decide os rumos do mercado ao seu entendimento.
Estimular o debate e levar o problema ao consumo, aos órgãos de defesa do consumidor, à população em geral e aos legisladores. Esta uma tarefa hercúlea que buscamos no dia a dia.

Convenção Coletiva de Consumo